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Hepatites Virais
O
FÍGADO E SUAS FUNÇÕES.
O fígado
é o maior órgão do corpo humano, está localizado no lado superior direito
do abdomen , protegido pelas costelas (gradio costal) . É responsável
por aproximadamente 5000 (cinco mil) funções vitais , produz a grande
maioria de substâncias essenciais para o resto do corpo e remove as substâncias
prejudiciais ao organismo. É como um grande laboratório. O fígado produz
a bile que é levada ao intestino delgado para se juntar ao processo de
digestão. Também produz hormônios, proteínas e enzimas que mantêm o corpo
funcionando normalmente. Tem participação na produção de substâncias que
ajudam o sangue a coagular. Tem papel importante na decomposição do colesterol,
manutenção do açúcar no sangue , e também decomposição de medicamentos.
Quando o
fígado está doente pode-se Ter inúmeras conseqüências sérias. A doença
viral é a mais comum que acomete o fígado. Quando um vírus danifica uma
célula hepática (hepatócito) esta não mais funciona. Com a diminuição
da população de células hígidas muitas funções do corpo podem ser afetadas.
O QUE
É HEPATITE?
Hepatite
significa inflamação do fígado. Existem várias razões para o fígado estar
inflamado, e nem sempre a causa é viral. Certas drogas ou medicações tóxicas
, doenças imunológicas podem causar hepatite. A causa mais comum de inflamação
do fígado é a hepatite viral. Quando o processo inflamatório está presente
por mais de seis meses é chamado de hepatite crônica.
QUAIS
SÃO OS SINTOMAS?
Os sintomas
produzidos pela hepatite viral podem variar dependendo se a hepatite é
crônica ou aguda. Muitos casos de hepatite pede serr tão leves e inespecíficos
passando por uma simples infecção viral como uma gripe.
A hepatite
aguda causa menos danos ao fígado que a hepatite crônica.
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Hepatite
Aguda
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Hepatite
Crônica
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| Fadiga
intensa |
Fadiga |
| Olhos
amarelados |
Dor
nas articulações |
| Pele
amarelada |
Vermelhões
na pele |
| Urina
escura |
Perda
da memória |
| Febre
baixa |
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| Desconforto
gastrointestinal |
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Nota: vários
pacientes com hepatite aguda ou crônica podem ser assintomáticos. Os sintomas
não são parâmetro para saber a evolução da doença.
Atualmente
existem sete tipos de vírus conhecidos .São chamados de A, B, C, D, E,
F e G.
QUAL A
IMPORTÂNCIA DE SABER QUAL O VÍRUS QUE OCASIONOU?
Há diferenças
importantes entre os vírus. Por exemplo, a mais comum das hepatites virais
é a causada pelo vírus A. O vírus produz uma inflamação aguda do fígado
(hepatite) , nunca crônica, o paciente pode ficar doente por alguns dias
ou semanas , mas uma vez que melhora, a infecção acaba e não há destruição
progressiva do fígado. É raro acontecer uma infecção grave por hepatite
A que possa acarretar a morte ou necessitar de um transplante de emergência.
Na hepatite
B há uma melhora em 95% dos casos como na A. Em um número limitado de
pacientes ela progride para a doença crônica. A exceção ocorre em crianças
onde a grande maioria (90%) desenvolve hepatite crônica (quanto mais jovem
maior a chance) . No Brasil com as campanhas de vacinação o índice de
infecção em crianças caiu bastante porém os números ainda são grandes.
Habitualmente se adquire hepatite na adolescência ou vida adulta.
A hepatite
C ocorre geralmente na adolescência tardia e vida adulta. Diferente da
hepatite B , a infecção consegue burlar o sistema imunológico ( de proteção
do corpo contra bactérias e vírus) e sobrevive levando o processo a uma
doença crônica . De fato, mais de 85% das pessoas infectadas pelo vírus
C mantêm evidências laboratoriais e/ou clínicas de uma infecção presente.
O vírus
da hepatite D tem um comportamento atípico. Ocorre somente em conjunto
com a hepatite B e trabalha como um parasita . Pode transformar uma infecção
de evolução atenuada pelo vírus B em uma doença de características agressivas
e destrutivas sobre o fígado.
Os outros
vírus E, F e G são mais raros .
COMO SE
PEGA HEPATITE?
Existem importantes
diferenças entre a maneira de se pegar cada tipo de hepatite. São estas
diferenças que mostram como podemos previnir que a doença se espalhe.
A hepatite
A é mais freqüente na infância. É transmitida de pessoa para pessoa. O
vírus está nas fezes , portanto a higiene após o uso do banheiro é imprescindível.
Também pode se transmitir através dos alimentos. Por estes motivos é fácil
de entender como os berçários e creches são mais vulneráveis a este vírus.
A hepatite
B pode se disseminar de várias maneiras, mas dificilmente será através
de alimento contaminado. O foco primário de infecção é através de transfusão
sangüínea ou contato com secreções do corpo. Quase todas as secreções
humanas tem o vírus da hepatite. O uso de drogas injetáveis com a mesma
seringa, tatuagens ou piercings sem material esterelizado também pode
ser uma via de transmissão. Transmissão sexual também é possível . Mães
infectadas com o vírus B transmitem para os seus bebes. Toda mulher grávida
ou com desejo de engravidar deve fazer os testes para hepatite B.
A transmissão
da hepatite C é semelhante a hepatite B . A tansmissão sexual é mais rara
e a infecção de bebes pelas suas mães ocorre em uma porcentagem bem menor
(5%).
O QUE
PODE SER FEITO PARA PREVENIR A HEPATITE?
Na hepatite
A , a regra é higiene . Boas condições sanitárias em restaurantes, berçários,
creches e escolas devem ser obedecidas. Além disso a imunização pode ser
feita. Uma vacina efetiva foi introduzida no mercado em 1995. É recomendada
principalmente para pessoas que viajam para áreas endêmicas, onde a Hepatite
A é um problema. Breve se tornará uma vacina rotineira para as crianças.
Se você
entrou em contato com uma pessoa com hepatite A , a primeira coisa a fazer
é não entrar em pânico. Este conselho é particularmente difícil de seguir,
principalmente se o seu filho foi quem esteve exposto. A chance de contaminação
de crianças na fase escolar apenas por estarem na mesma sala de aula é
remota. Nestes casos se for feita a imunização imediata, os riscos de
desenvolver a doença diminuem bastante. O que é importante saber é que
assim que a pessoa desenvolve a doença com seus sintomas , o vírus desaparece
das fezes, desta forma diminuindo o risco de contaminação. De qualquer
forma o hábito de separar os talheres de pessoas infectadas deve ser preservado.
A imunização só é necessária para as pessoas que moram junto com a pessoa
doente. Colegas de trabalho ou escola estão dispensados da imunização.
A hepatite
B é totalmente controlável. Através de cuidados no pré-natal , imunização
de todas as crianças em idade escolar e de indivíduos com vida sexual
ativa que tem múltiplos parceiros(as) ou com parceiro já contaminado pelo
vírus.
No caso
da Hepatite C as coisas são mais complicadas. Não existe vacinas e não
há previsão de tempo até que se descubra uma. A contaminação ainda deve
ser evitada através da prevenção: evitando uso de seringas em conjunto
ou contaminadas, tatuagens e piercings em locais onde não há esterilização
do equipamento. E finalmente uso de camisinhas para que têm vida sexual
ativa com múltiplos parceiros.
COMO É
TRATADA A HEPATITE?
O tratamento
da hepatite viral depende da evolução clínica da doença de do tipo de
vírus; depende também se é aguda ou crônica. Para infecção aguda da hepatite
A, B ou C , são utilizadas medicações sintomáticas que possam trazer conforto
para o paciente. A hepatite A na grande maioria dos casos vai melhorar.
É preciso fazer seguimento nos casos de hepatite C e B, através de exames
laboratoriais, pois os sintomas não servem como parâmetros para a doença.
Para hepatite
B e C crônica não existe a cura. Porém com o uso de certas medicações
anti-virais é possível freiar o processo de destruição do fígado.
O QUE
PODE ACONTECER A LONGO PRAZO?
Um número
considerável de pacientes com hepatite crônica tipo B ou C sem tratamento
podem Ter uma vida normal sem complicações. Nos casos em que a doença
está presente há mais de 20 anos , podem aparecer sinais de que o fígado
está funcionando mal (cirrose) e em casos mais extremos é necessário o
transplante hepático. Na cirrose o fígado fica com a sua estrutura irregular
devido ao processo de cicatrização constante. Como conseqüência da cirrose
o paciente apresenta varizes de esôfago, um aumento do baço e ascite (barriga
d'água).
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Cirrose
hepática e esplenomegalia (aumento do baço)
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varizes
do esôfago
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Tumores do
fígado conhecidos como hepatomas podem aparecer em pacientes com hepatite
crônica B ou C. Nos EUA 70% dos hepatomas aparecem em pessoas com hepatite
crônica B ou C. No Brasil não existem números precisos a respeito.
Clínicos
e especialistas da saúde pública internacional consideram a Hepatite C
uma questão prioritária.
O
vírus da hepatite C (HCV) foi isolado pela primeira vez em 1989. Até então,
qualquer hepatite viral não identificada como causada por vírus A e B
era denominada "hepatite Não-A, Não-B".
Só
a partir de novembro de1993 passou-se a pesquisar no Brasil, a presença
do vírus em doadores de sangue. Até então, muitas pessoas que haviam recebido
transfusão de sangue, adquiriram o HCV e são hoje portadoras de hepatite
crônica viral. Muitas delas não apresentam sintomas e só descobrem a infecção
ao doar sangue.
Atualmente,
com testes diagnósticos desenvolvidos e refinados, um número significativo
de infectados vêm sendo identificados. Estima-se que 3% da população brasileira,
aproximadamente cinco milhões de pessoas, sejam portadoras da hepatite
C.
Quais
os sintomas da hepatite C?
A
infecção pela hepatite C progride lentamente e os sintomas freqüentemante
não são reconhecidos. Pode começar semelhante a um quadro gripal leve.
Raramente causa icterícia (amarelão).
É
mínima a tendência para a cura espontânea da hepatite C e, embora a maioria
dos pacientes apresente sintomas difíceis de reconhecer por vários anos,
o risco de desenvolver cirrose e câncer hepático é significativo.
Na
maioria das vezes, evolui para hepatite crônica ativa e pode estar associada
a sintomas como fadiga, náuseas, dores articulares e musculares, pernas
pesadas e cansadas e desconforto abdominal. Cerca de 20% - 40% apresentarão
cirrose.
Quais
são os grupos de risco para Hepatite C?
A
hepatite C é altamente infecciosa, atingindo vários grupos de risco, muitos
dos quais desconhecem terem sido expostos ao HCV.
É
adquirida através do contato com sangue e outros fluídos corporais contaminados
pelo vírus. O sangue contaminado é o meio transmissível mais comum, tanto
por transfusões como pela administração de produtos sangüíneos como os
utilizados na hemofilia e na diálise. Entre 60% e 90% dos hemofílicos
estão infectados e mais de 80% dos usuários de dorgas intravenosas no
mundo ocidental são HCV+.
São
grupos de risco para hepatite C:
- Pacientes
que tenham recebido transfusão de sangue ou derivados
- Pacientes
submetidos a procedimentos invasivos (cirurgias)
- Usuários
de drogas
- Homens
entre 30-49 anos
- Filhos
de portadoras do vírus C
- Parceiros
sexuais de pacientes do grupo de risco
- Promíscuos
- Profissionais
da área de saúde
- Pacientes
que já tenham tido doença sexualmente transmissível
Apesar
de já se conhecer os principais meios de transmissão, um grupo significativo
de pessoas com HCV, em torno de 40%, desconhecem como a doença foi contraída.
Como
saber se tenho o vírus da Hepatite C?
Caso
você faça parte do grupo de risco para a infecção pelo vírus C ou tenha
os sintomas da hepatite crônica, porcure seu médico ou um hepatologista
que solicitará exames de sangue para detectar a presença do vírus.
Existe
tratamento para Hepatite C?
Muitos
estudos têm sido realizados em todo mundo com o objetivo de curar a hepatite
C.
Atualmente
o tratamento é realizado com dois medicamentos que são o interferon e
a ribavirina, em associação. A cura só é obtida em aproximadamente 48%
dos casos e a duração do tratamento varia de 6 meses a um ano, dependendo
do genótipo do vírus.
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