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Doença de Crohn
O
QUE É DOENÇA DE CROHN?
A doença de Crohn foi descrita pela primeira
vez em 1932 pelo Dr. Burril B. Crohn, da cidade de Nova York, como uma
inflamação no intestino delgado, que é crônica e deixa cicatrizes na parede
intestinal.
Apesar do
processo inflamatório poder ocorrer em qualquer porção intestinal, o segmento
terminal do delgado (íleo) é preferencialmente afetado.
A doença
de Crohn pode manifestar-se em qualquer idade, mesmo em crianças. Entretanto
é normal que os primeiros sintomas surjam no adulto jovem.
Crianças
com doença de Crohn devem ser tratadas de maneira resoluta e imediata.
Se o distúrbio não for diagnosticado, a doença inflamatória não tratada
pode desencadear desordens no crescimento, atraso na puberdade e baixo
desempenho escolar.
Em princípio,
virtualmente todo o trato digestivo pode ser afetado no mal de Crohn,
ocorrendo uma variação entre os segmentos intestinais inflamados. Muitas
vezes, segmentos sadios intestinais encontram-se intercalados com os afetados.
A inflamação
ocorre em todos os compartimentos da parede intestinal: na mucosa, nos
músculos longitudinais e transversais da parede e no tecido conjuntivo
abaixo da mucosa intestinal. O processo inflamatório provoca alterações
nestas estruturas, inclusive nas glândulas intestinais, de tal forma que
o intestino vai gradualmente perdendo sua função digestiva.
A absorção
dos nutrientes supridos pela alimentação e as secreções intestinais necessárias
ao processo digestivo passam a ser danificadas. A inflamação resulta em
cicatrizes e um certo espessamento nos segmentos afetados do intestino.
Isto torna a luz intestinal mais estreita e impede o transporte do bolo
alimentar.
QUAIS
SÃO OS SINTOMAS QUE A DOENÇA DE CROHN APRESENTA?
Em muitos
casos a doença desenvolve-se e produz muitos sintomas que não são característicos.
Dores estomacais inexplicáveis e diarréia são os primeiros sintomas descritos,
entretanto, um súbito ataque com uma aguda e severa dor na "boca do estômago"
é também possível. Além da dor, que lembra uma caimbra, diarréias ocorrem
na maior parte das pessoas afetadas pela doença. Febre também ocorre irregularmente
e os enfermos reclamam de perda de peso e de apetite.
Sintomas
inexplicáveis que frequentemente ocorrem no ataque da doença não indicam
diretamente a doença de Crohn e podem passar até mesmo anos para que o
médico encontre o diagnóstico correto. Evidência de inflmação crônica
do intestino pode ser obtida em laboratório de patologia, através de biópsia
e pela identificação de sinais de inflamação não específica. O ataque
simultâneo de dor abdominal, diarréia e febre, com sintomas em articulações,
inflamação na pele ou inflamação recorrente nos olhos também podem ser
sinais de Crohn, assim como a presença de fístulas anais. O curso da doença
é contínuo. A doença de Crohn é intermitente, sendo interrompida por intervalos
mais ou menos longos de pouca ou nenhuma sintomatologia.
QUAIS
SÃO OS DISTÚRBIOS NÃO INTESTINAIS DE CROHN?
Só
recentemente descobriu-se que a doença de Crohn não afeta exclusivamente
o intestino.
Em uma alta
percentagem de casos, outros órgão apresentam sintomatologia da doença.
Muitas vezes esses sintomas podem não ser relatados ao médico; por esta
razão os pacientes portadores da doença devem estar atentos a alterações
em sua pele, articulações e olhos, para que o relato das mesmas alerte
o médico sobre as possíveis conexões com a doença inflamatória intestinal.
Alterações
no pâncreas, órgão que secreta as enzimas digestivas, raramente podem
ocorrer. Outros pacientes desnvolvem distúrbios do trato respiratório,
no sistema nervoso e no aparelho renal. Algumas vezes diversos órgãos
estão envolvidos na doença. Em muitos pacientes, poucos sintomas tornam-se
predominantes, tornando mais difícil o correto diagnóstico da doença crônica
inflamatória intestinal.
Observações
clínicas apoiaram o pressuposto de que os vários distúrbios apresentados
têm uma causa comum, mas que esta causa é encontrada na doença intestinal,
sendo, isso sim, um distúrbio do sistema imunológico.
Os cientistas
concordam que os achados secundários mais comuns em vários órgãos, podem
ser o resultado do distúrbio envolvendo o sistema imunológico, o psiquê
dos pacientes e o próprio tratamento medicamentoso.
O
PAPEL DO SISTEMA IMUNOLÓGICO
A
ciência ainda não sabe qual a exata razão pela qual algumas pessoas desenvolvem
o mal de Crohn. Entretanto, existe uma evidência crescente de que a predisposição
genética, fatores ambientais e o sistema imunológico possam estar envolvidos.
O
aparelho digestivo possui uma superfície de contato muito grande, de aproximadamente
250m2. Esta área é importante para absorção dos alimentos e água ingeridos.
Por causa deste contato com substâncias exógenas, o trato digestivo possui
um grande número de células do sistema imunológico que, dentre outras
funções, defendem nosso organismo da invasão de substâncias estranhas
que acompanham os alimentos.
A
barreira imunológica mais importante no intestino, é representada por
um tipo de imunoglobina, a lg A, que possui funções diferentes da lg G
encontrada no sangue.
Estudos
científicos têm mostrado que na doença inflamatória intestinal ativa crônica,
a proporção entre lg A e lg G, muda a favor dessa última, na parede intestinal.
Enquanto a lg A normalmente mantém antígenos distante das paredes do intestino,
a lg G não possui esta capacidade, permitindo a ligação de antígenos ao
tecido intestinal, podendo contribuir para a inflamação intestinal.
Além
disso, a lg G, combinada com antígenos e anticorpos, forma "complexos
imunes" que podem ser transportados a outros órgão do corpo causando processos
inflamatório distantes do intestino.
DEBILITAÇÃO
DO SISTEMA NERVOSO
Alterações
circulatórias e pequenas oclusões vasculares no sistema nervoso são extremamente
no mal de Crohn. Os efeito da perda de grande volume de líquidos e eletrólitos
ocasionada pela diarréia podem afetar o fluxo sangüíneo.
Também
é possível que o sistema nervoso dos pacientes possa ser afetado pela
carência de vitamina B, pelo fato de sua absorção intestinal ser insuficiente
durante o ataque da doença inflamatória.
Em
casos de pacientes que foram submetidos a cirurgia para a remoção de parte
do intestino, a absorção de outras vitaminas como A, E, D e K também pode
ser afetada.
Polineuropatia
tem sido observada em pacientes com Crohn. Ela reduz a sensibilidade da
região nervosa afetada, podendo causar dor e atividade reflexa reduzida.
Caso
um tratamento a longo prazo com metronidazol (antibiótico) seja necessário
por causa da intensidade do Crohn, distúrbios nervoso podem ocorrer. Este
farmaco liga-se a vitamina B e, deste modo, polineuropatias podem ocorrer,
com dores nas mãos e pés com perda de reflexos musculares. Estes sintomas
normalmente são reduzidos com a descontinuidade do metronidazol.
DESORDENS
ARTICULARES
Reumatismo
e doença de Crohn podem ter efeito recíproco: a inflamação reumática nas
articulações pode acompanhar a doença; por outro lado, a administração
anti-reumática pode exacerbar a doença de Crohn.
Nestes
casos, a cooperação entre médicos de diferentes especialidades é requerida.
Um
distúrbio do sistema imunológico tem sido correlacionado como causa desta
inflamação reumática.
De
acordo com os últimos estudos, a permeabilidade intestinal a compostos
antigênicos está aumentada na doença de Crohn, e estes complexos imunológicos
causam dor nas grandes articulações dos braços e das pernas, assim como
da parte baixa da coluna vertebral, e isto ocorre em 25% dos pacientes.
Essas inflamações são descritas como artite. Os tendões e cartilagens
também podem estar envolvidos neste processo doloroso.
A
conexão estreita entre intestino e inflamação das articulações torna-se
clara durante o tratamento. Uma melhora nos sintomas reumáticos freqüentemente
ocorre em conexão com o sucesso do tratamento e melhoria da atividade
inflamatória intestinal.
DISTÚRBIOS
NOS OLHOS
Inflamações
no olhos ocorrem em um grande número de pacientes portadores da doença
de Crohn.
As
mais comuns são conjuntivite, inflamação parcial ou completa da esclerótica
(parte branca globo ocular), inflamação da Íris, inflamação da membrana
intermediária do globo ocular e inflamação da retina.
A
inflamação da esclerótica ou da Íris é comumente associada a doença de
Crohn e pode ocorrer acompanhando ou não um ataque agudo da doença.
O
tratamentos dos distúrbios oculares inclui colírios a base de cortizona
e o tratamento efetivo da doença inflamatória intestinal.
Os
distúrbios oculares, na doença de Crohn, muito provavelmente são causados
por uma reação tipo antígeno – anticorpo.
Ë
importante, tanto para o paciente quanto para o médico, considerar a possibilidade
do envolvimento ocular na doença de Crohn, assim os primeiros sintomas
surjam, o paciente já receba imediatamente o tratamento oftálmico necessário.
ALTERAÇÕES
DA PELE NA DOENÇA DE CROHN
Mudanças
na pele e na mucosa ocorrem em ao redor de 40% dos pacientes com Crohn.
Lesões avermelhadas dolorosas, que em muitos casos são observadas antes
das manifestações intestinais da doença, podem ser importantes indicações
do mal de Crohn; estas podem parecer na mucosa bucal ou na região anal.
Os
dermatologistas chamam estas alterações de inflamações granulomatosas
em função de características das células do sistema imunológico presentes
nesses locais.
Elas
são particularmente comuns ao redor de fístulas e em locais onde ocorra
fricção cutânea, como mamas e virilha. Sem conexão direta com o trato
intestinal, as reações granulomatosas também podem ocorrer nos lábios
e na bochecha, com dores muito fortes nas bordas da língua.
Muitas
das alterações epidérmicas parecem estar associadas com a perda ou a reduzida
absorção de vitaminas e de oligoelementos, que ocorrem em função da diarréia,
que causa perda de sangue e fluidos. Por exemplo, a inflamação da língua
(glossite),pode ser resultante de um quadro anêmico.
Transtornos
semelhantes ao eczema na região bucal são atribuídos à carência de zinco,
que é um importante oligoelemento para a defesa endógena A deficiência
do zinco também ocasiona atraso no processo de cura. Quando a função de
defesa da pele é danificada pode ocorrer uma invasão por fungos (monília).
O
FIGADO, A VESÍCULA BILIAR E O PANCRÊAS NA DOENÇA DE CROHN.
Em
casos muitos raros, tanto o fígado quanto a vesícula podem ser envolvidos
na doença. Este envolvimento é evidenciado em laboratório pelo nível elevado
de enzimas hepáticas no sangue.
Proliferações
celulares nodulares conhecidas como granulomas também podem se desenvolver
no tecido hepático, do mesmo modo como são evidenciadas na mucosa intestinal.
Em
casos muito raros, os anticorpos presentes no Crohn podem também reagir
com a superfície dos ductos biliares. Isto causa uma inflamação não especifica
dos ductos(colangite), causando constrição como resultado da inflamação.
Neste caso, a bile retida pode produzir pedras na vesícula, e em decorrência,
o sintoma de cólica da vesícula biliar pode surgir.
Problemas
com o pâncreas são raros mas também podem ocorrer na doença de Crohn.
Alguns fármacos utilizados para tratar a doença de Crohn (sulfasalazina,
mesalazina)podem desencadear uma inflamação pancreática(pancreatite).
Alem
disso, a pancreatite aguda pode ser produzida pela própria inflamação
intestinal.
O
motivo disso é que a doença de Crohn pode provocar mudanças no duodeno;
com o pâncreas produz importantes enzimas digestivas, que são secretadas
para o duodeno através de um ducto muito pequeno, se este ducto estiver
inflamado ou bloqueado, as secreções digestivas poderão congestionar o
pâncreas.
As
alterações nas enzimas digestivas são observadas em alguns pacientes com
Crohn e são atribuídas a distúrbios digestivos do intestino inflamado
ou mesmo aos efeitos no sistema imunológico.
DISTÚRBIOS
PSICOLÓGICOS NA DOENÇA DE CROHN.
Somente
nos anos recente os pesquisadores tem estabelecido uma ligação entre alterações
nervosas e respostas psicológicas.
Certos
nervos do sistema vegetativo (que controlam funções independentes de nossa
vontade e essenciais para a vida) tem efeito inibitório ou estimulador
no sistema imunológico. Pesquisadores notaram que as células nervosas
do cérebro não somente regulam o sistema imunológico mas, informações
originadas do sistema imunológico alcançam os nervos e o cérebro
Um
eixo importante de formação e regulação hormonal vai do cérebro às glândulas
drenais. Corticoides, insulina, hormônios do crescimento e hormônios sexuais
são regulados e estimulados da mesma forma.
A
reação do tipo antígeno-anticorpo é também influenciada por um sistema
parecido com este, e estimula o sistema imunológico a aumentar a produção
de glicocorticoides. Ocorre então uma contra reação endógena à imunização.
As citokinas, que são importantes na trasmissão da informação entre as
células inflamatórias (linfócitos e monócitos),são também envolvidas neste
processo. A extensão e duração da reação imune é também regulada via controle
da resposta imune endógena.
Esses
mecanismos são de difícil entendimento para o paciente, e para sua compreensão
e ele deve solicitar o auxilio de seu medico.
De
qualquer forma, um objetivo de grande interesse cientifico, são as respostas
do sistema imunológico humano ao stress psicológico. Os estudos nestes
campos voltam-se para as pessoas que sofrem de depressão, com a perda
de seus padrões de vida ou que tenham sido expostas a outros tipos severos
de stress psicológico.
A
ligação entre o cérebro e o processo imunológico envolve uma rede muito
complexa de fatores bioquímicos, neurohormonais e componentes imunológicos,
os quais afetam tanto o sentido de emotividade quanto o sistema imunológico
do paciente com Crohn.
Por
isso, em muitos casos, o ataque da doença inflamatória é exacerbada pelo
stress psicológico, e, muitas vezes, o tratamento do problema psicológico
permite uma melhora na sintomatologia da inflamação intestinal. Discussões
psicoterapêuticas, relaxamento, psicoterapia individual ou grupal, e treinamento
podem melhorar os sintomas físicos e as condições gerais dos pacientes.
CONVIVENDO
COM A DOENÇA DE CROHN
As
doenças inflamatórias intestinais crônicas, que incluem a doença de Crohn
e a colite ulcerativa, são entidades clínicas cujas causas não foram ainda
conclusivamente identificadas. Por esta razão, medicamentos que tratem
a causa ainda não estão disponíveis. Aliança terapêutica entre médico
e paciente é caracterizada pela experiência subjetiva da doença que o
paciente possui e o conhecimento e a experiência do médico que o trata.
Não é infrequente a diferença entre os objetivos do tratamento para o
médico e a sensação subjetiva do paciente. Todos os pacientes atravessam
longos períodos nos quais a doença é melhor aceita, tolerada, e controlada,
assim como outros períodos estressantes, nos quais, muitas vezes eles
crêem perder a capacidade para lutar contra a enfermidade. Até que melhores
métodos de tratamento estejam disponíveis, o tratamento médico limita-se
à melhoria da sintomatologia e da qualidade de vida dos pacientes. Uma
dieta adequada, um grande número de diferentes fármacos, assim como o
tratamento psicológico e cirúrgico, fazem parte de um amplo espectro de
métodos disponíveis para os médicos.
Entretanto,
quaisquer que sejam os caminhos preconizados pelo médico, desde os métodos
mais conservadores até mesmo uma necessidade cirúrgica, é essencial que
eles sejam decidido sem uma franca cooperação médico-paciente.
A
formação de grupos de auto-ajuda é particularmente importante. Ë onde
os pacientes encontrarão outras pessoas com o mesmo tipo de problema,
trocarão experiência, aconselhar-se-ão em relação ao comportamento, dieta
e muito mais.
O
médico, a família e o grupo de auto-ajuda são parte de um círculo social
fechado dos pacientes com Crohn. Discussões intensas sobre a compreensão
da doença, assim como as estratégias de tratamento, tornam mais fácil
ao paciente conviver com a doença e sua compreensão pelo seu círculo social.
DOENÇA
DE CROHN E A GRAVIDEZ
A
doença de Crohn pode ocorrer em qualquer idade e, inclusive, pode-se manifestar
em mulheres na idade fértil. Receios de que esse distúrbio possa afetar
o transcurso da gravidez são infundados. Observações de muitos anos têm
demonstrado que pacientes portadoras de Crohn durante a gravidez, apresentam
melhora nos seus sintomas que parece estar correlacionada ao status hormonal
da mulher.
Em
muitos casos, tem sido possível a redução de medidas para tratar a inflamação
durante a gravidez. Mesmo se a inflamação se tornar ativa nesse período,
existem fármacos relativamente seguros para o tratamento, como a mesalazina
ou os corticóides. A probabilidade de parto normal e filhos sadios é idêntica
entre pessoas portadoras ou não do mal de Crohn.
A
colaboração estreita entre o ginecologista e o médico que trata do processo
inflamatório é extremamente importante para a detecção precoce e tratamento
de qualquer alteração.
DIETA
NA DOENÇA DE CROHN
Não
existe um padrão dietético para pacientes com Crohn, mas alguns parâmetros
nutricionais podem auxiliar os pacientes a evitar erros na dieta. Doces
e frutas em compota com alto grau de açúcar exacerbam a atividade da doença
em muitas pessoas. Pão branco, pão de forma e comidas altamente condimentadas
não fazem parte da dieta para pacientes com doença de Crohn e deveriam
ser substituídos por alimentos com alta quantidade de fibras. Importantes
fontes de fibra podem ser encontradas em pão integral e em muitos tipos
vegetais. As fibras vegetais auxiliam as funções intestinais.
Entretanto,
nos casos de constricção intestinal ( redução da luz intestinal ou estenose
); uma dieta pobre em fibras deve ser seguida.
Tanto
médico como paciente precisam estar atentos à possibilidade de má nutrição,
que pode ocorrer no ataque inflamatório ou mesmo no curso crônico da doença.
Uma
deficiência protêica pode ocorrer:
- Na presença
de dieta desbalanceada ou quando o paciente se recusa a se alimentar
por causa do medo da dor.
- Segmentos
inflamados do intestino falham na absorção adequada de nutrientes.
- Secreções
inflamatórias com alta quantidade protéica são excretadas através do
intestino.
- Aumento
da excreção protéica por envolvimento renal.
Uma
deficiência de ferro ocorre como resultado de perda sangüínea severa.
Entretanto, mesmo na fase crônica da doença pode ocorrer distúrbio na
utilização do ferro. Ele é um elemento muito importante na formação do
sangue e no transporte de oxigênio. Por essa razão a dosagem regular e
anual de ferro no sangue é necessário.
Por
causa da perda de fluídos propiciada pela diarréia, distúrbios do metabolismo
de água eletrólitos podem ocorrer. Estas perdas devem ser repostas pela
dieta e por líquidos contendo eletrólitos.
Outros
oligoelementos, como magnésio, cobre, selênio e zinco, tem um papel importante
na função de vários órgãos.
Perdas
dessas substâncias podem ser detectadas em "chek – up" de rotina e devem
ser acompanhadas por medicamentos.
TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO NA DOENÇA DE CROHN
Farmacos
anti-inflamatórios devem ser administrados aos primeiros sinais de ativação
da doença inflamatória intestinal e mesmo na fase de remição ( quando
se torna crônica com redução dos sintomas ) da doença.
CORTISONA
Corticosteroides
( prednisolona e metilprednisolona ) são um dos farmacos mais importantes
no ataque da doença de Crohn; sua ação á mais eficaz quando a porção envolvida
é o intestino delgado. Uma vez reduzida a atividade da doença, os corticoides
devem ser gradualmente interrompidos.
SULFASALAZINA
Essa
substância tem uma ação antiinflamatória exclusiva no intestino grosso,
quando a sua molécula é quebrada pela bactérias presentes na flora intestinal
em mesalazina e sulfapiridina, sendo que somente a mesalazina possui ação
antiinflamatória local.
MESALAZINA
A
mesalazina foi desenvolvida por causa dos efeitos colaterais que ocorrem
com a sulfasalazina, os quais são largamente atribuídos à fração sulfonamida
da substância. Muitos anos de estudo tem mostrado que a atividade antiinflamatória
da mesalazina é comparável, ao nível do intestino grosso, à sulfasalazina,
mas com muitos menos efeitos colaterais.
Formulações
mais recentes da mesalazina tem permitido a ação antiinflamatória desde
o duodeno até o reto, sendo que esta não é afetada pela presença da diarréia.
A mesalazina é disponível sob a forma de comprimidos, supositórios e enema.
OUTROS
fármacos também estão disponíveis para o tratamento da doença de Crohn,
como o metronidazol , azatioprina , mercapitorina e ciclosporina. São
farmacos que devem ser utilizados por curtos espaço de tempo e na agudização
severa da enfermidade.
Finalmente,
o objetivo de todo o tratamento da doença de Crohn é debelar o processo
inflamatório tão eficazmente quando possível. O tratamento médico, a dieta
apropriada, o acompanhamento psicológico estendem a fase de remissão da
doença ao máximo possível, tornando os episódios de ataque agudos raros.
Os pacientes tornam-se assintomáticos e podem continuar sua vida normal,
obtendo uma alta qualidade de vida.
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